Oportunidades se multiplicam

Fundações, associações e empresas ligadas ao terceiro setor contratam profissionais qualificados e prestadores de serviço de diversas áreas para elaboração de projetos e captação, educação, cultura, psicologia e criação de políticas sociais. Criando empregos com carteira assinada, contratando prestadores de serviço ou terceirizando a elaboração de projetos, o setor multiplica as oportunidades de trabalho. Basta ver o que ocorreu há dois anos na Fundação Mário Penna, que até 2005 ainda não tinha passado por processo de informatização.

Segundo o presidente da instituição, Cássio Eduardo Rosa Resende, com cerca de 1.050 empregados, a fundação, que comanda o Hospital do Câncer e o Hospital Luxemburgo, partiu para a atualização tecnológica e para isso contratou 20 pessoas. “A implantação da rede de informática vem sendo feita há dois anos. Em julho, será a vez de aumentar o número de leitos nas UTIs, o que significa a contratação de enfermeiros e outros profissionais. Esse é o momento do terceiro setor, que ainda trabalha num certo grau de amadorismo”, diz. Cássio lembra que a filantropia não pode ser encarada como sinônimo de pobreza. “As instituições precisam ser ricas para atender os pobres.”

No Instituto Hartman Regueira (IHR), que tem empreendimentos sociais em áreas que vão das telecomunicações à biotecnologia e experiência em diagnósticos, análises, capacitação e atuação prática em comunidades, são 12 funcionários fixos e outros 37 envolvidos em cinco projetos distintos. Um deles, chamado de Escolas Públicas em Rede, consiste numa série de ações voltadas para a inclusão digital na escola pública mineira.

Trata-se da primeira parceria formalizada entre uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) e o estado de Minas Gerais, prova da profissionalização do terceiro setor. “São poucos empregos diretos, mas há muita prestação de serviço por empresas formais”, diz a diretora-executiva do IHR, Cecília Regueira. A instituição emprega profissionais das áreas de desenvolvimento e gestão de negócios, terapia sistêmica, educação, ciências sociais, comunicação, direito, administração e tecnologia da informação.

A gerente da Fundação Belgo, Elisane Gressi, trabalha como gestora de projetos voltados para educação e cultura e tem 10 empregados diretos, mas, em 2006, contratou 80 projetos, cada um deles dando trabalho a 10 pessoas em média. Só na área da cultura, entre 2000 e 2006, contratou 2.340 artistas, aos quais pagou R$ 14 milhões. De 2001 a 2006, outra iniciativa da fundação, o programa Cultura na Escola pagou R$ 6 milhões a 1.340 profissionais. Já o projeto Raízes envolveu 6 mil prestadores e gastos de R$ 3,5 milhões com pessoal, entre 2002 e 2006. “As empresas estão buscando a interação com a comunidade em parcerias e isso envolve o trabalho de especialistas do terceiro setor”, diz.

Segundo Luiz Guilherme Gomes, diretor-executivo da Oficina de Imagens, ONG que também trabalha na área da educação, são 10 empregados com carteira assinada e outros 35 atuando em várias iniciativas, como prestadores de serviço. A equipe conta com comunicadores, psicólogos, profissionais da área de história, artes plásticas e outros ligados à educação. “A demanda por projetos é sempre crescente e, com isso, a qualidade deles tende a aumentar.”

Simone Rocha, superintendente financeira da Fundação Mário Penna, é economista de formação e tem pós-graduação e mestrado em administração. Depois de 20 anos na iniciativa privada, foi convidada a reestruturar a área financeira da organização. “Com a profissionalização, o terceiro setor está atraindo cada vez mais profissionais de outras áreas, que agregam muito a um segmento que antes trabalhava com mão-de-obra derivada do voluntariado. Quando as pessoas passam a ser remuneradas, é possível cobrar resultados do seu trabalho”, explica.

Fonte: Horizonte RP

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~ por Patrícia Scarponi em 5/06/07.

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